Alemanha descarta envio de mísseis Taurus sob ameaças diretas do Kremlin e foca no financiamento de Kiev
Berlim recua no fornecimento de armamento de longo alcance enquanto Moscou alerta para consequências severas e Ucrânia avança em produção doméstica
O chanceler alemão Friedrich Merz declarou esta quarta-feira (25) que não há mais necessidade de enviar os mísseis de longo alcance Taurus para a Ucrânia, encerrando um debate que se arrastava em Berlim desde o início do conflito. A decisão ocorre num momento de extrema tensão diplomática, após aliados próximos de Vladimir Putin terem emitido ameaças diretas à Alemanha. Dmitry Medvedev, vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, utilizou declarações agressivas para alertar Berlim sobre os riscos de uma escalada nuclear caso o armamento fosse fornecido, afirmando que tal passo colocaria a Alemanha na linha direta de fogo.
Embora Merz tenha defendido o envio quando ainda era líder da oposição, o chanceler recuou da postura após assumir o cargo em maio passado, justificando agora que o contexto operacional mudou. Segundo Merz, a discussão tornou-se "irrelevante" diante do avanço tecnológico da própria Ucrânia, que desenvolveu armas de longo alcance nativas — em parte com apoio alemão — consideradas por ele mais eficazes do que o número limitado de mísseis Taurus que a Bundeswehr (Forças Armadas da Alemanha) poderia fornecer.
O governo alemão indicou que o foco da cooperação militar agora se deslocou do fornecimento de hardware específico para o suporte financeiro e tecnológico, tentando equilibrar o apoio a Kiev com a contenção das ameaças russas.
Tecnicamente, o Taurus supera significativamente os sistemas já fornecidos, como o Storm Shadow britânico e o SCALP francês, em dois pilares fundamentais:
- Alcance Superior: Enquanto as versões de exportação do Storm Shadow/SCALP operam com um limite de aproximadamente 250–300 km, o Taurus possui um alcance oficial de mais de 500 km, permitindo ataques muito mais profundos em centros logísticos e de comando russos sem expor as aeronaves lançadoras.
- Poder de Penetração: O míssil utiliza a ogiva inteligente de dois estágios Mephisto, capaz de perfurar camadas densas de concreto ou solo antes de detonar. Somado a um sistema de navegação por imagem que dispensa o GPS (imune a interferências eletrônicas), ele é considerado a ferramenta mais eficaz da Europa contra infraestruturas pesadas, como bunkers subterrâneos e pontes estratégicas.
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