Reconfiguração Logística no Golfo: EAU e Omã Ativam Protocolos de Contingência para Escoamento de Carga Geral

Enquanto exportações de energia do Catar e Iraque enfrentam paralisia, novos corredores terrestres e níveis de segurança "ISPS 3" marcam a operação de guerra nos portos regionais

Publicado em 25 de março de 2026 às 21:19
Pedro

O sistema logístico do Oriente Médio acelerou, nesta quarta-feira (25), a implementação de um modelo de operação de emergência para contornar o travamento físico do Estreito de Ormuz. Com as exportações de óleo bruto e GNL severamente comprometidas, os Emirados Árabes Unidos (EAU) e Omã consolidaram-se como os principais eixos de resiliência, adotando medidas excepcionais para garantir que bens de consumo e matérias-primas continuem fluindo para o interior da península, isolando o impacto da paralisia nos grandes terminais petrolíferos.


Nos EAU, a autoridade portuária estabeleceu um regime de "Customs Bypass" (Desvio Alfandegário) entre os portos de Fujairah, Khor Fakkan e os centros de Jebel Ali e Abu Dhabi. Essa iniciativa permite que contêineres desembarcados na costa leste (fora de Ormuz) sejam transportados diretamente por rodovias para as zonas francas e terminais de destino, eliminando trâmites aduaneiros tradicionais no ponto de entrada para acelerar o abastecimento. Contudo, a infraestrutura de energia segue travada: o terminal de tanques FOTT em Fujairah está apenas parcialmente operacional e os terminais da Vopak suspenderam as atividades de seus monoboias (SPM) até novo aviso. Além disso, o porto de Ras al Khaimah instituiu uma Sobretaxa de Risco Marítimo obrigatória para todas as embarcações.


Em Omã, os portos de Salalah, Sohar e Duqm assumiram o papel de "portos seguros" estratégicos, absorvendo inclusive cargas destinadas ao Catar, onde a QatarEnergy cessou a produção de GNL após ataques a Ras Laffan. O rigor técnico em Omã atingiu o nível máximo: em Mina al Fahal, a atracação só é permitida para navios com o sistema de navegação Doppler log plenamente funcional, devido a interferências massivas de GPS na área que impedem a navegação segura. Adicionalmente, o nível de segurança ISPS foi elevado para 3 (Alerta Máximo) nos terminais de GNL de Qalhat e Mina al Fahal, o patamar mais alto de proteção contra ameaças iminentes.


O cenário de exportação de energia permanece crítico em outros pontos do Golfo. No Iraque, o Terminal de Petróleo de Basrah e o SPM Somo cessaram totalmente as operações de exportação. No Bahrein, a movimentação de navios é limitada pela escassez de práticos e as atividades da BAPCO continuam suspensas. Em contraste, a estabilidade é mantida no Canal de Suez (Egito) e no porto de Aqaba (Jordânia), que operam sem interrupções. Em Israel, os portos de Haifa e Ashdod funcionam em capacidade total, mas com restrições operacionais severas: cargas de veículos (Ro-ro) só são permitidas para entrega direta, sendo proibido o armazenamento nos pátios portuários para priorizar o espaço para itens de subsistência e insumos industriais.


Fonte: Lloyd List

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