Crise no Oriente Médio ameaça oferta global de metais para baterias e eleva custos de mineração
Escassez de diesel pressiona operações de lítio na Austrália e cobre na África; 13% das exportações globais de diesel estão travadas em Ormuz
A crise energética no Oriente Médio começou a atingir o estágio upstream da cadeia de baterias elétricas (EVs). O bloqueio do Estreito de Ormuz interrompeu o fluxo de aproximadamente 53 milhões de toneladas de diesel (13% dos embarques globais registrados em 2025), afetando diretamente mineradoras na África, Austrália e Sudeste Asiático que dependem do combustível para transporte, perfuração e logística. Na Austrália, o governo já reduziu padrões de combustível e as reservas caíram para apenas 49 dias; mineradoras de lítio como Greenbushes e Pilgangoora enfrentam risco direto de interrupção em abril, o que já desperta o alerta de compradores chineses sobre a oferta de espodumênio.
Na África, o corredor de cobre e cobalto entre a República Democrática do Congo (RDC) e a Zâmbia está sob ameaça logística. Embora 80% da energia da RDC seja hidrelétrica, a frota de caminhões que escoa a produção para os portos de Durban e Dar Es Salaam depende totalmente de diesel. Estoques portuários na região são estimados para apenas mais duas semanas, com previsões de que transportadoras entrem em "limbo" operacional a partir da primeira semana de abril. Já na Indonésia, o setor de níquel está mais protegido por utilizar termoelétricas a carvão, mas enfrenta riscos indiretos na importação de enxofre e ácido sulfúrico, insumos essenciais para o processamento do minério.
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