Disparada de prêmios de seguro e riscos operacionais travam navegação no Estreito de Ormuz
Tráfego comercial despenca 90% na região; renegociação de apólices e falhas de GPS ameaçam viabilidade de rotas no Golfo Pérsico
Desde os ataques entre Estados Unidos, Israel e Irã iniciados em 28 de fevereiro de 2026, a navegação comercial no Estreito de Ormuz sofreu um colapso de aproximadamente 90%. Diferentemente da campanha seletiva dos Houthis no Mar Vermelho, os incidentes recentes — com sete ataques confirmados a diversos tipos de embarcações em apenas cinco dias — não apresentam um padrão claro, deixando todos os navios mercantes expostos ao risco. Atualmente, a travessia regular restringe-se quase exclusivamente a frotas de bandeira iraniana, associadas ao regime ou a embarcações específicas (como as da grega Dynacom), enquanto um grande número de petroleiros e navios gaseiros aguarda retido em ambos os lados do estreito.
Apesar da forte paralisação, as embarcações presas no Golfo Pérsico ainda não são consideradas "inseguráveis", mas o setor enfrenta um severo choque de reprecificação. Os contratos de seguro contra riscos de guerra geralmente incluem uma cláusula de cancelamento de sete dias, que foi imediatamente acionada pelas seguradoras após o início da escalada militar. Com o fim dessa janela nesta sexta-feira (6 de março), os operadores não perdem a cobertura, mas entram em uma fase de renegociação com prêmios contra riscos de guerra substancialmente mais altos. Dados da Kpler Risk & Compliance indicam que a maioria das embarcações retidas mantém suas apólices via clubes de P&I (Protection and Indemnity), sendo a "frota fantasma" (shadow fleet) a principal exceção de risco devido à sua opacidade natural.
Para as seguradoras, o cálculo atual vai além do risco físico de ataques, englobando um choque sistêmico de navegação. Interferências generalizadas nos sinais de GPS/GNSS aumentam consideravelmente a probabilidade de colisões e encalhes nas áreas de ancoragem agora congestionadas, além de dificultarem a verificação técnica em caso de sinistros. A duração do conflito ditará os rumos do mercado: o cenário base das seguradoras precifica de 4 a 5 semanas de disrupções. Contudo, se as hostilidades e a guerra eletrônica se prolongarem, a região pode caminhar para um fechamento comercial de facto — não por restrição legal, mas por inviabilidade econômica —, o que forçaria o redirecionamento permanente de rotas, restringiria a oferta de navios e consolidaria prêmios elevadíssimos de frete em todo o comércio ligado ao Golfo.
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